versificar:

“Eu não sei sofrer. A dor sempre acaba comigo e eu acabo entregando os pontos, as cartas e o jogo. Porque eu, de fato, não sei lutar contra ela. E é por isso que eu repito em alto e bom som para quem quiser ouvir, que eu não nasci para sofrer. Grito pela milésima vez e mais uma se preciso, para que o destino entenda que essa função não é minha. Eu não sei fazer isso direito. E cada pedacinho do meu corpo – esse por menor que seja – dói. Eu também não sei lidar com a dor sambando de salto alto e fino bem no meio do meu peito, e ainda ficar achando graça disso. Eu me acabo. E no final das contas eu não sei lidar nem comigo, quem dirá com a dor. E tudo se torna grande demais, vazio demais, apertado demais. O problema é que assim como eu não sei sofrer, eu também não sei não sofrer. Não sei olhar pro chão e não ter medo de ficar sem ele, e nem olhar a cicatriz sem pensar que ela pode ser aberta de novo. Não sei olhar pro céu e não ter medo de perder as estrelas e nem rir sem pensar que eu vou chorar muitas vezes ainda. É, eu não sei não sofrer, porque eu, definitivamente, não sei correr sem ter medo de cair. O joelho ralado sempre me pareceu um tiro no peito, ainda que eu nunca tenha levado um tiro. Eu só sinto muito, porque o sentir pouco nunca fez parte de mim. Não sei preferir o insuportável e desconfortável silêncio quando eu ainda tenho o grito. Então não me peça para sofrer em silêncio enquanto a dor grita - E grita alto. Não me peça para chorar em voz baixa porque chorar alto é muito mais libertador. Não me peça para ser pouco, quando eu só sei ser muito. E o que é amarelo claro se torna amarelo escuro, quase fogo. O chuvisco se torna uma tempestade que não me permite dançar na chuva. A maré baixa se torna um tsunami e eu sempre acabo me afogando, porque bom… Eu não sei nadar nesse mar.”

Cuidar.

versificar:

“Não se iluda com uma pessoa só porque viveu momentos inesquecíveis ao lado dela. Nem tudo que é intenso significa que será eterno.”

Pedro Pinheiro.

inverbos:

“Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente.”

Clarissa Corrêa.